Governo estima perdas de R$ 38,8 bilhões por ano com apostas ilegais e revela que quase 700 mil brasileiros já pediram autoexclusão das plataformas
O Ministério da Fazenda revelou, na sexta-feira (19), que 25,2 milhões de brasileiros apostam atualmente em plataformas ilegais de apostas esportivas e jogos de azar. O dado foi apresentado durante coletiva de imprensa em Brasília pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, e pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, em meio ao anúncio de novas medidas de combate ao mercado clandestino de bets no país.
Segundo o governo, as plataformas sem autorização da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) representam entre 41% e 51% de todo o setor de apostas em operação no Brasil. Esse cenário gera uma dúvida importante para o leitor que acompanha o tema: por que, mesmo dois anos após a regulamentação da Lei das Bets, o mercado ilegal ainda tem um peso tão expressivo no país? A resposta passa por uma combinação de fatores econômicos, sociais e de fiscalização que o próprio governo tem buscado endurecer nas últimas semanas.
Os números fazem parte de um esforço de transparência que acompanha o anúncio do Decreto nº 13.033/2026, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que regulamenta o bloqueio de recursos financeiros de operadoras irregulares de apostas. A medida busca justamente reduzir o espaço de atuação dessas plataformas que, segundo as autoridades, custam caro à sociedade brasileira tanto em termos econômicos quanto de saúde pública.
O tamanho do problema das bets ilegais no Brasil
De acordo com os dados apresentados pelo Ministério da Fazenda, as perdas econômicas e sociais causadas pelas apostas no país somam R$ 38,8 bilhões por ano, sendo que cerca de 80% desse valor está relacionado a danos à saúde da população. O ministro Wellington Lima afirmou que aproximadamente um em cada quatro brasileiros que apostam o faz todos os dias, enquanto mais da metade pratica a atividade pelo menos uma vez por semana. Esses indicadores mostram um padrão de uso intenso, que preocupa as autoridades de saúde e de segurança pública ao mesmo tempo.
O perfil dos usuários de plataformas ilegais também chamou atenção durante a coletiva. Segundo o levantamento do governo, 69% das pessoas que apostam nessas casas têm entre 18 e 29 anos, e 63% vivem com renda familiar de até dois salários mínimos. Esse recorte indica que o público mais atingido pelo mercado clandestino é justamente o mais jovem e com menor poder aquisitivo, o que reforça a preocupação das autoridades com o impacto social da prática. Vale destacar que esse número de 25,2 milhões se refere especificamente a quem utiliza plataformas sem autorização, enquanto a SPA estima em cerca de 27 milhões o total de apostadores em casas regularizadas desde 2025, segundo dados reportados pelas próprias empresas autorizadas a operar no país.
Bloqueio de domínios e medidas já aplicadas pelo governo
Para tentar reduzir essa presença do mercado ilegal, a SPA mantém desde outubro de 2024 um acordo de cooperação técnica com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que já resultou no bloqueio de mais de 50 mil domínios de sites e aplicativos de apostas irregulares. A Operação Conto da Sorte, deflagrada na quinta-feira (18), um dia antes da coletiva, reforçou esse esforço com o bloqueio de 50 mil sites adicionais e a interrupção das atividades de 350 operadores que funcionavam sem autorização da SPA. A ação também identificou 37 instituições financeiras que teriam movimentado recursos ligados a essas operações.
Outra informação relevante divulgada pelo ministro da Fazenda durante a coletiva é que quase 700 mil pessoas já solicitaram inclusão na ferramenta de autoexclusão do governo federal, disponível desde dezembro de 2025 no portal gov.br/autoexclusaoapostas. O recurso permite que o próprio usuário peça para ser bloqueado de todas as plataformas de apostas regularizadas, deixando de receber notificações e comunicações comerciais dessas empresas. Esse número elevado de adesões sugere que parte significativa dos apostadores brasileiros já reconhece dificuldade em controlar o próprio comportamento diante das bets, o que torna a ferramenta um instrumento importante de saúde pública dentro da política de jogo responsável.
O que esses números significam para quem acompanha o setor de apostas
Os dados divulgados pelo Ministério da Fazenda ajudam a explicar por que o governo tem intensificado, nas últimas semanas, uma série de medidas de fiscalização sobre o setor de apostas. Além do decreto de bloqueio de recursos de bets ilegais, a Fazenda também publicou portaria que estende a responsabilidade tributária solidária a instituições financeiras e fintechs que viabilizam transações para operadores não autorizados, fechando ainda mais o cerco contra esse ecossistema clandestino. Essas iniciativas mostram que a estratégia do governo passa por atingir diretamente o fluxo financeiro das empresas ilegais, e não apenas bloquear os próprios sites e aplicativos.
Para o leitor que tem dúvidas sobre como identificar se está apostando em uma plataforma confiável, a orientação da SPA é verificar se a empresa consta na lista oficial de autorizadas, disponível no site do Ministério da Fazenda, e se exibe o número de registro de forma visível no rodapé do site, com domínio terminado em “.bet.br”. Já para quem sente dificuldade em controlar o próprio comportamento relacionado às apostas, o caminho indicado pelas autoridades é buscar a ferramenta de autoexclusão do gov.br ou procurar atendimento especializado, já que o impacto na saúde mental e financeira de quem desenvolve dependência tem sido um dos pontos centrais das discussões recentes sobre o setor no Brasil.
Fontes consultadas:
- https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/252-milhoes-de-brasileiros-apostam-em-bets-ilegais-diz-ministro/
- https://sbtnews.sbt.com.br/noticia/economia/25-2-mi-de-brasileiros-usam-bets-ilegais-diz-ministro
- https://www.metropoles.com/brasil/entre-41-e-51-das-bets-no-brasil-sao-ilegais-diz-governo
- https://www.gov.br/casacivil/pt-br/assuntos/noticias/2026/junho/governo-federal-regulamenta-bloqueio-de-recursos-de-bets-ilegais-e-reforca-combate-a-operacoes-irregulares
Autor: Diego Rodríguez Velázquez