Regra em vigor desde outubro de 2025 obriga operadoras a bloquear cadastros e encerrar contas de quem recebe os benefícios sociais
Uma parte pouco conhecida da regulamentação das bets no Brasil trata diretamente da relação entre apostas online e programas sociais. Desde o fim de 2025, quem recebe Bolsa Família ou Benefício de Prestação Continuada está impedido de manter conta ativa em qualquer casa de apostas autorizada pelo governo federal. A medida, pouco divulgada até aqui, já vem sendo aplicada pelas operadoras licenciadas e mostra como a fiscalização do setor foi ganhando camadas ao longo do processo de regulamentação.
Como funciona a proibição para beneficiários de programas sociais
A restrição não é opcional para as empresas. Segundo levantamento sobre as bets autorizadas no país, desde outubro de 2025, beneficiários do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada estão impedidos de utilizar plataformas de apostas autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda. Na prática, isso significa que o CPF dessas pessoas passa a ser automaticamente sinalizado dentro do sistema de controle do governo, impedindo qualquer tentativa de cadastro em uma bet regularizada. Fogaonet
O processo de verificação é obrigatório e segue um fluxo bem definido. As operadoras devem consultar o CPF no módulo de impedidos do SIGAP, negar novos cadastros e bloquear imediatamente apostas, depósitos e bônus. Para quem já tinha conta ativa antes da entrada em vigor da regra, o prazo é curto: caso já exista uma conta, ela deve ser encerrada em até três dias, com o usuário tendo dois dias para retirar voluntariamente o saldo antes que a operadora tente devolvê-lo automaticamente. FogaonetFogaonet
Essa exigência tem base legal específica. De acordo com o mesmo levantamento, a restrição decorre da Portaria SPA/MF nº 2.217/2025 e da Instrução Normativa nº 22/2025, e não significa, por si só, o cancelamento do benefício social recebido pela pessoa. Ou seja, a medida atinge apenas o acesso às apostas, sem interferir diretamente no pagamento do Bolsa Família ou do BPC, o que tranquiliza quem recebe os benefícios e se preocupa com eventuais efeitos colaterais da fiscalização. Fogaonet
Por que essa camada de controle foi criada
A lógica por trás da proibição está ligada diretamente ao objetivo declarado da regulamentação das bets: proteger financeiramente a população mais vulnerável. Programas como o Bolsa Família e o BPC são voltados justamente a famílias em situação de maior fragilidade econômica, o público que estudos recentes sobre saúde mental e apostas apontam como mais suscetível a desenvolver dependência do jogo e a comprometer o próprio orçamento com apostas online.
Esse tipo de regra se soma a outras camadas de controle que já vinham sendo aplicadas pelo setor. As plataformas autorizadas pela SPA precisam seguir uma série de exigências para operar legalmente no país, entre elas manter fiscalização contínua por meio do sistema SIGAP, oferecer suporte ao consumidor com respaldo do Código de Defesa do Consumidor, e disponibilizar recursos de proteção como limites de depósito e ferramentas de autoexclusão. A verificação de beneficiários de programas sociais é, portanto, mais uma peça dentro dessa estrutura de proteção que o governo tenta consolidar desde que o mercado foi legalizado. Gazeta do Povo
Vale lembrar que a base legal de todo esse arcabouço regulatório vem da Lei das Bets. A Lei 14.790/2023 regula a exploração das apostas de quota fixa no Brasil e está em vigor desde 1º de janeiro de 2024, definindo a Secretaria de Prêmios e Apostas como o órgão normativo responsável pelo setor. Por ter esse papel normativo, a SPA pode criar regras inéditas conforme identifica novas necessidades de controle, como aconteceu com a restrição aplicada aos beneficiários de programas sociais. LANCE!LANCE!
Como saber se uma bet está realmente autorizada
Para quem quer apostar de forma segura, a primeira recomendação de especialistas é sempre verificar se a plataforma consta na lista oficial de operadoras licenciadas. Segundo dados atualizados no fim de julho, o Brasil conta atualmente com 187 bets regulamentadas para atuar no país, sendo considerada autorizada apenas a plataforma que possui licença da SPA e domínio terminado em “.bet.br”. Essa exigência de domínio próprio foi criada justamente para facilitar a identificação de sites legais em meio à quantidade crescente de plataformas clandestinas que tentam imitar operadoras licenciadas. LANCE!
A lista de autorizadas também está em constante atualização, o que exige atenção de quem já aposta com frequência. Segundo outro levantamento, as autorizações mais recentes concedidas pela SPA foram as da BPX Bets Sports Group e da Nosso Time iGaming, enquanto a marca Free passou a integrar a licença já existente da operadora BetBoom em 30 de junho de 2026, sem representar uma nova empresa autorizada. Esse tipo de mudança societária e de marca é comum no setor e reforça a importância de consultar sempre a fonte oficial antes de confiar em qualquer plataforma. Fogaonet
A recomendação de operadoras licenciadas não elimina os riscos inerentes ao próprio ato de apostar. Mesmo escolhendo uma bet regularizada, é essencial manter o controle sobre o tempo e o valor destinado às apostas, evitando que o entretenimento se transforme em fonte de endividamento. Quem perceber sinais de dificuldade em controlar o próprio comportamento diante do jogo pode buscar atendimento gratuito e confidencial pelo SUS, através do aplicativo Meu SUS Digital ou pelo número 136, além de poder recorrer à Plataforma de Autoexclusão oferecida pelo governo federal para bloquear voluntariamente o acesso a todas as bets do país.
Fontes:
Lance | Fogão Net | Gazeta do Povo