O Ministério do Esporte firmou, em 8 de setembro de 2026, um Acordo de Cooperação Técnica com a Integrity Compliance 360 Inc. para ampliar as ações de prevenção, monitoramento e enfrentamento à manipulação de resultados esportivos no Brasil. A iniciativa prevê o uso de ferramentas tecnológicas, intercâmbio de conhecimento, capacitação e apoio técnico às atividades desenvolvidas pelo governo.
O acordo está estruturado em três frentes. A proposta é oferecer mecanismos para identificar sinais de risco no mercado de apostas, impedir a participação de pessoas sujeitas a restrições e fortalecer a cooperação entre órgãos públicos, entidades esportivas e operadores autorizados. As medidas têm como objetivo preservar a imprevisibilidade das competições e a credibilidade dos resultados.
Segundo o Ministério do Esporte, os recursos previstos na parceria devem apoiar as atividades de integridade esportiva, sem substituir as responsabilidades das autoridades competentes. A divulgação oficial também destaca que os alertas gerados pelas ferramentas terão caráter auxiliar.
Monitoramento de movimentações atípicas
A primeira frente do acordo é chamada de Integrity Monitoring. A ferramenta acompanha movimentações consideradas atípicas no mercado de apostas, como alterações relevantes em odds, linhas e mercados. A partir desses dados, poderão ser identificados padrões incomuns que mereçam análise e eventual encaminhamento às autoridades responsáveis.
O Ministério do Esporte ressalta, no entanto, que um alerta não representa, por si só, prova de manipulação de resultado ou de qualquer infração. A identificação de uma movimentação fora do padrão pode indicar a necessidade de apuração, mas não permite concluir automaticamente que houve fraude. Essa distinção é importante para evitar que oscilações do mercado sejam tratadas como evidência definitiva de irregularidade.
Na prática, o monitoramento pretende ampliar a capacidade de observação sobre o ambiente de apostas relacionado às competições esportivas. A avaliação dos casos dependerá de informações adicionais, procedimentos de investigação e atuação dos órgãos com competência para analisar possíveis violações.
Prevenção de apostas por pessoas impedidas
A segunda solução apresentada no acordo é a ProhiBet. O mecanismo foi descrito como uma ferramenta de prevenção a apostas realizadas por pessoas que não podem participar desse mercado em determinados eventos esportivos. Entre os grupos citados estão atletas, árbitros, treinadores e dirigentes sujeitos a restrições.
A tecnologia poderá auxiliar na identificação de possíveis correspondências entre apostadores e integrantes do esporte que estejam impedidos de apostar. A finalidade é reduzir o risco de que pessoas com acesso privilegiado a informações ou influência sobre uma competição participem do mercado relacionado ao evento.
A utilização de dados pessoais reais, porém, dependerá de uma etapa posterior. De acordo com as informações divulgadas pelo Ministério do Esporte, ainda será necessário definir os fluxos jurídicos, técnicos e operacionais da solução. A implementação também deverá observar as regras de proteção de dados pessoais e os requisitos de segurança da informação.
Capacitação e cooperação institucional
A terceira frente, denominada Mensagem Central, busca ampliar a capacidade técnica do Ministério do Esporte e fortalecer a cooperação com entidades esportivas, operadores autorizados e órgãos públicos. A proposta inclui intercâmbio de conhecimento e capacitação para apoiar a identificação e o tratamento de riscos relacionados à integridade das competições.
A iniciativa ocorre em um contexto de discussões mais amplas sobre os efeitos das apostas esportivas no Brasil. Em 1º de setembro de 2026, representantes do governo e da sociedade civil participaram, em Brasília, de um debate sobre fiscalização, proteção dos consumidores, impactos sobre públicos vulneráveis e preservação da integridade do esporte.
Conforme relatado pelo Ministério do Esporte em outra publicação institucional, a agenda reúne preocupações que vão além do acompanhamento das apostas. O debate envolve a atuação do poder público, a responsabilidade dos agentes do mercado e a necessidade de reduzir danos associados à atividade.
O que o acordo muda na fiscalização
O acordo não significa que toda movimentação considerada incomum será classificada como manipulação. As ferramentas anunciadas devem funcionar como instrumentos de apoio à análise, enquanto a confirmação de eventuais irregularidades dependerá de procedimentos próprios e da atuação das autoridades competentes.
Também não há indicação de que a solução de prevenção a apostas proibidas possa ser aplicada imediatamente a partir da assinatura do acordo. A operação com dados pessoais dependerá da definição de regras, integrações e medidas de segurança. Por isso, a parceria representa uma etapa de cooperação técnica voltada à estruturação das ações de integridade esportiva.
Ao combinar monitoramento de mercado, prevenção de apostas por pessoas impedidas e capacitação institucional, o Ministério do Esporte pretende reforçar a proteção das competições no país. O resultado da iniciativa dependerá da implementação dos mecanismos, da qualidade do intercâmbio entre as instituições e do respeito aos limites legais aplicáveis ao uso de informações e à investigação de suspeitas.