Fraudes com identidade sintética crescem no setor de apostas e forçam operadoras a investir em tecnologias de verificação mais sofisticadas
A regulamentação das bets no Brasil trouxe mais transparência ao setor, mas também colocou a tecnologia no centro de um novo tipo de disputa: a corrida entre fraudadores que usam inteligência artificial para burlar sistemas de verificação e as operadoras que tentam blindar seus apostadores. Esse embate ganhou força em 2026, à medida que ferramentas de geração de imagem e voz por IA se tornaram mais acessíveis e mais difíceis de detectar.
Como a inteligência artificial está sendo usada contra os apostadores
Especialistas em segurança digital vêm alertando para o crescimento das fraudes de identidade dentro do setor de apostas, impulsionadas principalmente pela popularidade de ferramentas de inteligência artificial generativa. Segundo uma pesquisa da empresa de verificação de identidade Sumsub, 78% das operadoras de apostas já detectaram casos de fraude com deepfakes, e a América Latina concentra 39% dessas ocorrências. O dado ajuda a explicar por que o tema passou a ocupar espaço central nas discussões sobre segurança do setor. Canaltech
De acordo com especialistas ouvidos pela imprensa especializada, o roubo de contas de apostadores legítimos e a lavagem de dinheiro são práticas que colidem diretamente com as medidas regulatórias criadas pelo governo para combater operadoras ilegais, principalmente em um momento de forte crescimento do mercado brasileiro de apostas. O uso de deepfakes preocupa porque consegue, em alguns casos, contornar sistemas de biometria que antes eram considerados suficientes para confirmar a identidade de um usuário durante o cadastro em uma plataforma. Canaltech
Isso significa que a resposta tecnológica das operadoras precisa ir além da simples verificação facial. Sistemas de análise comportamental, que observam padrões de uso e de digitação, e camadas adicionais de checagem documental vêm sendo incorporados por parte das plataformas autorizadas como forma de reduzir a exposição a esse tipo de fraude, embora o desafio continue evoluindo na mesma velocidade das ferramentas usadas pelos criminosos.
O papel da inteligência artificial no cálculo de probabilidades
Enquanto a segurança digital ganha destaque, a inteligência artificial também vem transformando a própria operação das casas de apostas. Segundo reportagem do Jornal Guarulhos em Destaque, a tecnologia está redesenhando a dinâmica do setor, priorizando operações que oferecem transparência e robustez técnica, em um movimento que acompanha as novas diretrizes da Secretaria de Prêmios e Apostas. Um cientista de dados especializado no mercado esportivo afirmou à publicação que a inteligência artificial mudou a forma como as probabilidades são calculadas, como as plataformas se relacionam com o usuário e como decisões são tomadas. GuarulhosemdestaqueGuarulhosemdestaque
Segundo a mesma reportagem, a inteligência artificial já é usada para recalibrar odds em tempo real, interpretar dados históricos, identificar padrões comportamentais e personalizar a experiência do usuário dentro das plataformas autorizadas. Essa mudança tecnológica coincide com um período de forte audiência esportiva, já que a proximidade da Copa do Mundo de 2026 tende a elevar significativamente o volume de acessos e de transações nas casas de apostas licenciadas. Guarulhosemdestaque
Como o governo usa tecnologia para fiscalizar o setor
Do lado da fiscalização, o Sistema de Gestão de Apostas, conhecido como SIGAP, se tornou peça central da estrutura de controle do governo federal. Desenvolvido pelo Serpro para a Secretaria de Prêmios e Apostas, o sistema já opera em escala considerável: em 2025, a plataforma processou cerca de 253 bilhões de registros, evidenciando a necessidade de governança, interoperabilidade e segurança da informação para acompanhar um mercado que cresce rapidamente. Descomplica
Um subsecretário do Ministério da Fazenda explicou, em painel técnico sobre o tema, que um dos desafios iniciais foi montar rapidamente um sistema capaz de acompanhar um mercado recém-regulamentado e altamente dinâmico. Hoje, o sistema permite ao regulador visualizar tanto as operações das empresas quanto o comportamento dos apostadores dentro das plataformas, identificando padrões e outliers que podem exigir intervenção. Esse tipo de monitoramento é o que permite, por exemplo, identificar rapidamente CPFs de beneficiários de programas sociais que estão impedidos de apostar, ou sinalizar comportamentos de risco entre usuários frequentes. DescomplicaDescomplica
Esse cruzamento de tecnologias, entre inteligência artificial usada tanto para fraudar quanto para proteger o sistema, mostra como o avanço do mercado de apostas no Brasil está diretamente ligado à capacidade do país de investir em infraestrutura digital robusta. À medida que o volume de dados processados pelo SIGAP continua crescendo, a expectativa do próprio governo é ampliar ainda mais o uso de módulos analíticos capazes de antecipar riscos, tanto para os cofres públicos quanto para os próprios apostadores que utilizam plataformas legalizadas.
Fontes:
Canaltech | Jornal Guarulhos em Destaque | Descomplica