Sergio Bento de Araujo, como empresário especialista em educação, costuma afirmar que uma das maiores lacunas da educação brasileira está na comunicação entre a escola e a família, e essa lacuna nunca foi tão evidente quanto nas últimas reformas curriculares. A Base Nacional Comum Curricular e o Novo Ensino Médio chegaram às escolas carregando mudanças profundas na forma como os jovens aprendem, mas a maioria dos pais ainda desconhece o que essas transformações significam na prática para o percurso educativo de seus filhos. Acompanhar a vida escolar vai além de conferir notas: exige compreender o sistema que está por trás delas.
Por este artigo, buscamos traduzir, de forma acessível e aprofundada, o que são a BNCC e o Novo Ensino Médio e de que maneira eles afetam o cotidiano dos estudantes e das famílias. Confira a seguir para saber mais!
O que são a BNCC e o novo ensino médio, e por que eles importam para sua família?
A Base Nacional Comum Curricular é o documento que define, em nível federal, quais são as aprendizagens essenciais que todos os estudantes brasileiros têm direito de desenvolver ao longo da educação básica. Ela não é um currículo fechado, mas uma referência que orienta escolas e sistemas de ensino na construção de seus próprios planos pedagógicos. Na prática, isso significa que um estudante do interior do Maranhão e outro da capital paulista devem ter acesso às mesmas competências fundamentais, ainda que os conteúdos e as metodologias possam variar conforme a realidade de cada escola e região.
O Novo Ensino Médio, por sua vez, é a reforma que reorganizou a última etapa da educação básica a partir de 2022, introduzindo os chamados itinerários formativos, que permitem aos estudantes aprofundar seus estudos em áreas de interesse, como ciências da natureza, linguagens, ciências humanas, matemática ou formação técnica e profissional. A ideia central, segundo Sergio Bento de Araujo, é oferecer mais flexibilidade e protagonismo ao jovem, reconhecendo que nem todos os adolescentes têm os mesmos interesses ou os mesmos projetos de vida.
Como essas mudanças afetam o dia a dia do seu filho na escola?
As mudanças trazidas pela BNCC e pelo Novo Ensino Médio impactam o cotidiano escolar de formas que nem sempre são imediatamente visíveis para os pais, mas que têm efeitos profundos na trajetória dos estudantes. A reorganização curricular alterou a distribuição de disciplinas, a carga horária de algumas áreas do conhecimento e a forma como as avaliações são estruturadas em muitas instituições. Em escolas que ainda estão em processo de adaptação, é possível que haja inconsistências entre o que o projeto pedagógico promete e o que de fato acontece em sala de aula, e identificar essas inconsistências exige que os pais estejam atentos e informados.
O empresário especialista em educação Sergio Bento de Araujo destaca que a participação da família no ambiente escolar precisa evoluir junto com o sistema. Ir às reuniões de pais apenas para receber notas é uma postura que não corresponde mais à complexidade do modelo educacional atual. Os pais precisam compreender o projeto pedagógico da escola, conhecer os itinerários formativos disponíveis, dialogar com os filhos sobre suas escolhas e manter canais abertos de comunicação com professores e gestores. Essa participação ativa não é intrusão, é corresponsabilidade, e as escolas que sabem construir essa parceria colhem resultados muito melhores do que aquelas que tratam a família como espectadora do processo educativo.

Quais são os pontos de atenção que os pais devem monitorar nesse novo modelo?
Existem aspectos concretos do Novo Ensino Médio que merecem atenção redobrada por parte das famílias, expressa Sergio Bento de Araujo, especialmente em escolas que ainda enfrentam dificuldades de implementação. O primeiro deles é a qualidade e a variedade dos itinerários formativos oferecidos. A legislação prevê opções diversificadas, mas a realidade de muitas escolas, principalmente as públicas, é que a oferta ainda é limitada por questões de infraestrutura, disponibilidade de professores habilitados e recursos pedagógicos. Conhecer o que a escola de fato oferece, e não apenas o que a lei prevê, é uma responsabilidade que os pais precisam assumir ativamente.
Outro ponto relevante diz respeito à preparação para o ENEM. Com a reorganização curricular, surgiu uma preocupação legítima sobre se o Novo Ensino Médio prepara adequadamente os jovens para os principais instrumentos de acesso ao ensino superior. Essa discussão ainda está em curso, com ajustes sendo feitos tanto no modelo do exame quanto nos currículos escolares. A família que acompanha de perto o desempenho do filho nos simulados e mantém diálogo com a escola sobre estratégias de preparação estará em posição muito melhor para identificar eventuais lacunas e buscar complementações quando necessário.
Como a família pode se tornar uma parceira ativa nesse novo modelo educacional?
Tornar-se uma família parceira da escola no contexto da BNCC e do Novo Ensino Médio não exige formação pedagógica, mas exige disposição para aprender, perguntar e participar. O primeiro passo é buscar informação qualificada sobre o que a reforma prevê e como a escola está implementando essas mudanças. Participar das reuniões de pais com perguntas preparadas, solicitar conversas com a coordenação pedagógica e acompanhar os documentos que a escola envia são atitudes simples que fazem diferença concreta no nível de engajamento familiar.
Sergio Bento de Araujo resume que o diálogo entre escola e família nunca foi tão necessário quanto neste momento de transição educacional. As reformas curriculares exigem de todos os atores do processo educativo uma postura mais colaborativa e menos reativa. Para os pais, isso significa abandonar a posição de quem apenas cobra resultados e assumir a de quem contribui para construí-los, apoiando as escolhas dos filhos, respeitando o trabalho dos educadores e exigindo da escola a transparência e a qualidade que toda família tem direito de esperar. Esse equilíbrio entre confiança e vigilância ativa é o que define uma parceria educacional verdadeiramente transformadora.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez