Governo avalia novas restrições ao setor de apostas enquanto candidatos e Congresso discutem publicidade, arrecadação e impactos sobre as famílias.
As apostas esportivas e os jogos on-line ganharam espaço no debate político brasileiro às vésperas das eleições de 2026. Nesta sexta-feira (18), o governo federal avalia uma medida provisória que poderá alterar as regras do mercado, enquanto o Congresso já discute projetos relacionados à publicidade e ao patrocínio das bets. A discussão ocorre em um momento em que o governo afirma estar preocupado com o impacto das apostas sobre a renda das famílias. (InfoMoney)
O tema também passou a aparecer nas discussões relacionadas às propostas dos candidatos à Presidência. Levantamentos publicados durante a campanha mostram diferenças entre as candidaturas em relação à proibição das plataformas, à publicidade e à forma de tributação do setor. Ao mesmo tempo, empresas de apostas, clubes de futebol e outros setores econômicos acompanham as discussões diante dos possíveis efeitos de uma mudança regulatória. (iGaming Brazil)
Governo avalia novas regras para apostas antes das eleições
O governo federal está avaliando uma medida provisória para alterar as regras dos jogos e das apostas no Brasil. Segundo informações divulgadas pela Reuters, uma das versões em discussão prevê a proibição de cassinos on-line, mantendo as apostas esportivas e os respectivos patrocínios esportivos. A proposta ainda estava em análise em 18 de setembro, portanto o conteúdo definitivo e a extensão das mudanças poderiam sofrer alterações antes de uma eventual publicação. (Reuters)
A discussão ocorre poucos dias antes do primeiro turno das eleições gerais, marcado para 4 de outubro. Reportagem do UOL informou que o governo decidiu avançar na elaboração de uma medida provisória para restringir jogos e apostas, apresentando a iniciativa como parte de uma nova agenda política durante a reta final da campanha. Essa interpretação sobre o objetivo eleitoral da medida é uma análise publicada pelo veículo, e não uma conclusão oficial do governo sobre sua motivação. (UOL Notícias)
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, havia afirmado no dia anterior que ainda não existia uma decisão definitiva sobre uma restrição mais ampla às bets. Segundo ele, o governo acompanha principalmente os efeitos das apostas sobre o custo de vida e o comprometimento da renda das famílias. Durigan citou uma estimativa de R$ 62 bilhões destinados pelas famílias às plataformas de apostas e afirmou que o governo pretende continuar avaliando mecanismos para reduzir esse impacto. (BOL)
A eventual medida também tem implicações econômicas. De acordo com a Reuters, o Brasil possui atualmente 188 operadores autorizados e arrecadou quase R$ 10 bilhões em outorgas e impostos relacionados ao setor em 2025. A agência também relatou que os jogos de cassino representam parcela relevante da receita de algumas empresas, o que explica a preocupação do mercado com uma eventual proibição dessa modalidade. (Reuters)
Candidatos apresentam propostas diferentes para o mercado de bets
As apostas também aparecem nas propostas econômicas discutidas durante a campanha presidencial. Um levantamento publicado pela Folha mostrou que algumas candidaturas defendem a proibição das plataformas, enquanto outras apresentam propostas relacionadas à publicidade, tributação ou manutenção do mercado com mudanças na regulamentação. O levantamento também apontou diferenças entre os candidatos sobre os efeitos fiscais de uma eventual proibição. (Folha de S.Paulo)
Em um debate sobre propostas econômicas realizado em São Paulo, representantes de diferentes candidaturas apresentaram posições sobre o futuro do setor. Entre os temas discutidos estavam a tributação das plataformas, a publicidade e o tratamento dos jogos on-line. As propostas apresentadas pelos candidatos ou por seus representantes não são uniformes, e algumas candidaturas ainda não detalharam medidas específicas para o segmento. (iGaming Brazil)
A discussão política ocorre enquanto o mercado regulado de apostas ainda é relativamente recente no país. A regulamentação aprovada pelo Congresso estabeleceu regras para a atuação das empresas autorizadas e criou mecanismos de fiscalização e proteção aos usuários. Desde então, o governo também adotou medidas relacionadas ao acesso às plataformas por determinados grupos e ao funcionamento do sistema de autoexclusão. (Correio Braziliense)
Outro ponto importante é a publicidade. A Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado aprovou, em setembro, um projeto que prevê restrições amplas à divulgação de apostas e jogos on-line, incluindo publicidade em diferentes meios de comunicação, patrocínios esportivos, promoções e determinadas ações de afiliados e influenciadores. O texto ainda faz parte do processo legislativo e, portanto, não representa uma regra nacional já em vigor. (Senado Federal)
Como as bets podem afetar eleições, futebol e políticas públicas
O debate sobre as apostas também alcança o futebol brasileiro porque as casas de apostas se tornaram importantes patrocinadoras de clubes e competições. Em 17 de setembro, clubes e federações reagiram à possibilidade de novas restrições e defenderam a manutenção do mercado regulado, argumentando que mudanças nas regras poderiam afetar contratos de patrocínio e receitas esportivas. Essa posição foi apresentada pelas próprias entidades esportivas. (A Crítica de Campo Grande)
A eventual separação entre apostas esportivas e cassinos on-line é um dos pontos econômicos mais acompanhados pelo setor. A Reuters informou que uma possível medida do governo poderia atingir os jogos de cassino sem proibir as apostas esportivas, o que permitiria a continuidade de parte das operações das empresas autorizadas. Ainda assim, companhias que atuam nas duas modalidades poderiam enfrentar mudanças importantes em seu modelo de negócios. (Reuters)
No campo eleitoral, existe ainda uma diferença fundamental entre discutir as bets como política pública e realizar apostas sobre o resultado das próprias eleições. O Ministério da Fazenda informa que o Tribunal Superior Eleitoral proibiu apostas sobre resultados eleitorais, considerando essa prática um ilícito eleitoral. A regra é diferente do debate político sobre regulamentação, tributação ou publicidade das plataformas. (Serviços e Informações do Brasil)
A questão das apostas eleitorais voltou a ganhar atenção depois que reportagens identificaram ofertas relacionadas às eleições brasileiras em plataformas internacionais. Uma investigação da Agência Pública publicada em setembro relatou a promoção de mercados relacionados às eleições brasileiras pela Polymarket, apesar da proibição nacional. O caso reforça a necessidade de diferenciar plataformas submetidas à legislação brasileira de serviços estrangeiros que podem operar fora da jurisdição nacional. (Agência Pública)
Para o eleitor, o principal ponto neste momento é acompanhar quais propostas efetivamente serão transformadas em medidas de governo ou legislação. Até 18 de setembro, diferentes possibilidades estavam sendo discutidas: restrições aos cassinos on-line, mudanças na publicidade, combate ao mercado ilegal, alterações tributárias e manutenção das apostas esportivas. O conteúdo final de uma eventual medida provisória e a tramitação dos projetos no Congresso ainda poderão modificar esse cenário.
A entrada das bets no debate eleitoral mostra que o setor deixou de ser apenas uma questão econômica e passou a envolver também políticas públicas, proteção de consumidores, arrecadação e financiamento esportivo. O governo afirma estar preocupado com o comprometimento da renda das famílias, enquanto representantes do mercado e do futebol acompanham possíveis impactos regulatórios. Para as eleições de 2026, o tema aparece entre as questões econômicas que diferenciam propostas de candidatos e podem resultar em mudanças nas regras do setor caso sejam aprovadas pelo Executivo ou pelo Congresso. (BOL)
Fontes:
- UOL — Restrição a jogos e bets na reta final das eleições
- Reuters — Governo avalia proibição de cassinos on-line
- InfoMoney — Governo avalia novas restrições às apostas
- Senado Notícias — Projeto sobre publicidade e patrocínio de bets
- Ministério da Fazenda — Regras sobre apostas em resultados eleitorais
- Folha — Propostas dos presidenciáveis para as bets